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Cancro do Pulmão


O cancro do pulmão caracteriza-se pelo crescimento descontrolado e desordenado das células do pulmão, podendo formar um nódulo ou tumor. Os tumores pulmonares normalmente têm origem nas células dos brônquios e outras partes do pulmão, como os bronquíolos ou alvéolos1,2.

Existem, essencialmente, dois tipos principais de cancro do pulmão, classificados de acordo com o tamanho das suas células vistas ao microscópio:

Subtipos de cancro do pulmão de não pequenas células – CPNPC 1, 2

Os 3 principais subtipos histológicos do CPNPC são:

  • Adenocarcinoma – cerca de 40% de todos os cancros do pulmão. Estes tumores têm origem nas  células produtoras de muco das vias respiratórias. É muito frequente em fumadores e ex-fumadores, mas também pode surgir em indivíduos que nunca fumaram. As mulheres e os jovens estão no topo da lista.
  • Carcinoma de células escamosas – cerca de 25 a 30% de todos os cancros do pulmão. Este tipo de cancro desenvolve-se nas células escamosas do interior dos pulmões e normalmente é causado por hábitos tabágicos.
  • Carcinoma das grandes células – cerca de 10 a 15% de todos os cancros do pulmão. Pode surgir em qualquer parte do pulmão e caracteriza-se pela sua propagação e crescimento rápido.

 

 

 

O cancro do pulmão também pode ser classificado pela sua extensão 1,2

 

A classificação é feita de acordo com o tamanho do tumor, o envolvimento de nódulos linfáticos regionais e a sua disseminação para fora do pulmão, a outras partes do corpo. Disso irá depender a sua evolução e tratamento3.

Cancro do pulmão em estádio precoce – o tumor não é maior do que 3 a 5 cm, e permanece ainda confinado a uma zona do tórax. Apenas uma parte do pulmão se encontra afetado. Nos seus estádios mais avançados poderá envolver os nódulos linfáticos, assim como invadir outras partes do pulmão, vias aéreas ou áreas circundantes como o diafragma.

Cancro do pulmão localmente avançado – nesta fase o tumor  já tem maior dimensão, entre 5 a 7 cm, e já se disseminou  aos nódulos linfáticos, poderá ter outros tumores no mesmo lóbulo pulmonar, e até invadir outros lóbulos e tecidos para além do pulmão (pleura e parede torácica).

Cancro do pulmão metastático – O tumor pode ter qualquer tamanho e ter ou não disseminação aos nódulos linfáticos. Neste momento o cancro poderá estar presente em ambos os pulmões, assim como noutras partes do corpo, tais como; o fígado, glândulas suprarrenais, cérebro e ossos.

 

Sintomas do cancro do pulmão 1

Os sintomas mais comuns são:

Outros sintomas não específicos, podem incluir:

Deverá consultar o seu médico sempre que reconhecer algum destes sintomas. Contudo, é importante que se lembre que estes sintomas também são comuns em pessoas que não têm cancro do pulmão, logo, podem ser causados por outra patologia.

 

Causas do cancro do pulmão de não pequenas células1

 

O tabaco é o maior fator de risco para desenvolver cancro do pulmão, contudo existem outros fatores que podem igualmente aumentar o risco de desenvolver a doença, mas não são sinónimo de cancro. Do mesmo modo, não apresentar fatores de risco não significa que nunca poderá desenvolver algum tipo de tumor.

Gás Rádon/Radónio

É um gás radioativo que é produzido durante a degradação de urânio natural no solo e rochas, nomeadamente o granito. Pode,  através do solo, atravessar edifícios e casas. Pensa-se que a sua exposição prolongada e/com níveis excessivos, poderá danificar as células do pulmão e, dessa forma, ser um fator para o desenvolvimento de cancro do pulmão em indivíduos que nunca fumaram (ex: trabalhadores de minas).

Suscetibilidade Genética

Pensa-se que algumas pessoas têm maior probabilidade de desenvolver cancro do pulmão, tendo em conta as suas características genéticas.8 Ter história familiar de cancro do pulmão, ou de outros tipos de cancro, pode aumentar o risco de desenvolver cancro do pulmão. Nestas pessoas, geneticamente predispostas ao cancro do pulmão, o tabaco também poderá aumentar o seu risco de desenvolvimento.

Poluentes domésticos e ambientais

outros fatores são apontados como fatores de risco para o cancro do pulmão não pequenas células, tais como; a exposição ao amianto e ao arsénio. Existe evidência científica de que as taxas do cancro do pulmão são mais elevadas nas cidades do que nos meios rurais, assim como também existem outros fatores, que não a poluição atmosférica, que possam ser responsáveis por estes dados, tais como a poluição do ar dentro das casas, provocada pela utilização de lareiras. 3

Opções de tratamento para o cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC) 1

Depois da confirmação do diagnóstico, o seu médico terá em conta vários fatores, para planear o tratamento, tais como: a idade, a sua condição geral de saúde, historial médico, antecedentes tabágicos. O tratamento também dependerá do tipo de cancro do pulmão (histologia), da sua localização e se está ou não disseminado a outras partes do corpo.

É importante que os doentes sejam totalmente envolvidos nas discussões e decisões sobre o seu tratamento, para que possam escolher a melhor opção de acordo com as suas necessidades e preferências.
 

Cirurgia

É uma boa opção para estádios iniciais de CPNPC. A decisão do tipo de operação dependerá do tamanho e localização do tumor: 9

Ressecção  do segmento - Remoção de uma quantidade muito pequena do pulmão, que acontece quando o cancro ainda está numa fase muito inicial.

Lobectomia - Remoção de um dos lóbulos do pulmão; é o tratamento cirúrgico padrão para o CPNPC.

Pneumectomia - Remoção total de um dos pulmões; é uma cirúrgica mais complexa do que a ressecção de segmento ou a lobectomia.

Quimioterapia - A quimioterapia interrompe a forma como as células cancerígenas crescem e se dividem. No entanto, esses medicamentos também podem afetar as células normais. Normalmente é feita por via endovenosa.
Tem como principal objetivo eliminar as células cancerígenas ou controlar o crescimento do cancro. 3, 9
Pode ser utilizada antes ou após a cirurgia do CPNPC, para tentar reduzir o tamanho do tumor, ou então, nos casos de tumores que não podem ser removidos cirurgicamente. Existem casos em que os doentes fazem, ao mesmo tempo, radioterapia.

Terapias alvo e terapias anti-angiogénicas  - São medicamentos que bloqueiam as vias de crescimento das células cancerígenas, impedindo assim que o tumor continue a crescer e proliferar.
Normalmente são utilizadas nos casos CPNPC mais avançados e com alterações genéticas identificadas. 7
Quando existem mutações genéticas presentes, estes medicamentos dirigidos atuam especificamente nessa mutação:

  • Mutação no gene EGFR (recetor do fator de crescimento epidérmico)
  • Mutação no gene BRAF ( proteína cinase)
  • Mutação no gene ALK (translocação da cinase do linfoma anaplásico)
  • Mutação no gene ROS1 (recetor da tirosina cinase)

Imunoterapia - São tratamentos que atuam através do sistema imunitário, restabelecendo ou melhorando a resposta imunitária de forma a combater o cancro. 7 Existem certo tipo de tumores que, nas suas células, expressam na sua superfície uma proteína de nome PD-L1, que se liga as células do sistema imunitário e as inativam. A imunoterapia vai permitir bloquear esta ligação, permitindo que o sistema imunológico reconheça as células cancerígenas e as destrua.

Radioterapia -  É um  tratamento que utiliza a radiação, que conduz à destruição das células cancerígenas.
Quando é utilizada antes da cirurgia, permite que haja redução do tumor, caso seja após a cirurgia, permite eliminar as células cancerígenas remanescentes. Nos casos em que o CPNPC é detetado precocemente, é uma alternativa à cirurgia, mas nestes casos são administradas altas doses de radiação direcionada ao tumor. 3, 9 Nos casos em que os tumores são localmente avançados ou metastizados, pode ser utilizada apenas para aliviar sintomas.

Referências:

1 Adaptado de  https://www.esmo.org/content/download/7252/143219/file/EN-Non-Small-Cell-Lung-Cancer-Guide-for-Patients.pdf   
2 Adaptado de https://www.cancer.gov/types/lung  
3 Planchard D, Popat S, Kerr K, et al. Metastatic non-small cell lung cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol 2018;29(Suppl 5):iv192–iv237.  
4 Ferlay J, Ervik M, Lam F, et al. Global cancer observatory: Cancer Today. Lyon, France: International Agency for Research on Cancer 2018. Available from: https://gco.iarc.fr/today. Accessed 20th November 2018.  
5 Torre LA, Bray F, Siegel RL, et al. Global cancer statistics, 2012. CA Cancer J Clin 2015;65:87–108.  
6 Malvezzi M, Carioli G, Bertuccio P, et al. European cancer mortality predictions for the year 2016 with focus on leukaemias. Ann Oncol 2016;27(4):725–731.  
7 Novello S, Barlesi F, Califano R, et al. Metastatic non-small-cell lung cancer: ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol 2016;27(Suppl 5):v1–v27.  
8 Bailey-Wilson JE, Amos CI, Pinney SM, et al. A major lung cancer susceptibility locus maps to chromosome 6q23-25. Am J Hum Genet 2004;75(3):460–474.  
9 Postmus PE, Kerr KM, Oudkerk M, et al. Early and locally advanced non-small-cell lung cancer (NSCLC): ESMO Clinical Practice Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol 2017;28(Suppl 4):iv1–iv21.

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